EXU DA TRONQUEIRA

Da entrada do terreiro observo os trabalhos. Os médiuns ocupam seus lugares. Velas já firmadas. Pontos irradiando.
Todos integrantes começam a bater cabeça enquanto a vibração dos pontos cantados e tocados pelos atabaques diversificam-se pelo salão. O dirigente recebe as coordenadas. Os mentores e guias irmãos ficam preparados.
Na assistência esperam consulentes, pessoas que frequentam a casa assiduamente, outros vindos pela primeira vez indicados por amigos. Umas pessoas estão emocionadas, não sabem explicar. Eu sei..são seus mentores que se fazem presentes.
Outras estão suando, passando mal, agoniadas, querendo sair. Espíritos trevosos vieram com elas, mas entendendo onde estão agora, prezam para sair antes que sejam capturados e resgatados. Com certeza não poderão sugar mais energias das pessoas que acompanham no plano terreno.
O dirigente inicia os trabalhos.Na corrente um médium bambea, parece que vai cair. Observo seu caboclo ao lado.
O médium é iniciante, não está totalmente integrado ao seu guia. Com fé e paciência, com o tempo, certamente incorporará seu caboclo. Demais médiuns da corrente já incorporaram.
O caboclo chefe manifesta-se no dirigente igual a primeira vez quando trouxe as primeiras mensagens.
Na sequencia que outros caboclos chegam a energia positiva se multiplica. A egrégora é fortificada.
Estes caboclos durante os passes retiram da assistência os obcessores, eguns e kiumbas. Limpam as pessoas perturbadas.
De um jeito sério e fraterno transmitem paz e segurança. Consequentemente levando esperança a muitas pessoas que têem em mente que seria o ´´último “lugar que procurariam ajuda na sua agonia. Agora sentem-se aliviadas.
Digo por experiência que em breve algumas delas estarão manifestando seus guias.
Todavia acostumado ver esta situação sempre me emociono.
De onde estou continuo a acompanhar os trabalhos.
Na assistência uma jovem que permanecia sentada, de repente levanta-se e pôe a vociferar.
Moça de voz melodiosa e serena transforma-se totalmente. Sua voz fica grave e arrogante.
Ela tenta agredir os cambonos da casa, que são médiuns auxiliares, habitualmente conduzam os necessitados para o salão principal onde são realizados os trabalhos.
O kiumba que acompanha a jovem é perigoso e ao cruzar a entrada: grita e xinga tentando machucar a moça possuida.
Tudo isso devido ela ter se afinizado com ele, pensando negativamente, acompanhando amigas em lugares de baixas vibrações, tomar atitudes contrárias ao modo que foi bem criada, permanecer ao lado de uma pessoa que não entende a caridade, entre outras situações.
Os caboclos alertas abrem a roda. Os atabaques soam em ritmo apropriado para a descarga energética.
O caboclo chefe olha para outro irmão de luz, que entendendo rodeia a moça criando um campo de força para que ela não se machuque. O caboclo da moça também irradia com força sobre ela.
Chegou minha hora, aproximo-me tranquilamente. O kiumba desesperado tenta evitar meu olhar.
Não percebeu, mas já teve suas forças exauridas pelos elementos dos trabalhos.
Sorrindo vou em sua direção. Ele ofende, grita e esbraveja.
O caboclo ordena pelo meu apoio.
Dou um salto na qual encosto a lâmina de minha espada no pescoço do kiumba. Domino-o com facilidade. Chamo outros guardiões que o amarram e colocam no liame, á beira de um círculo de velas. Durante os estudos os médiuns chamam de Mandala Ígnea. Um portal magístico.
O kiumba se joga dentro. Preferiu ser resgatado a uma dimensão paralela, para seu próprio aprendizado e evolução.
Foi esperto… se ficasse iria perder a garganta.
Outros kiumbas menores também são capturados e levados a lugares de merecimento.
A moça volta ao estado normal. Algumas pessoas da assistência comentam que as velas em poucos minutos queimaram muito rápido, estão no fim, faltando pouco para acabarem. Os menos entendidos colocam a razão num vento que não existiu ou na parafina que poderia ser fraca.
Não sabem eles o trabalho benéfico que se faz no astral durante o tempo que permanecem sentados.
Acham muito o tempo para espera. Eu acho pouco o tempo para trabalho.
Enfim, nós mentores e guias fazemos o que podemos segundo necessidade e merecimento de cada um.
Os caboclos acabam os descarregos tirando os resíduos e agradecem meu auxílio.
Volto ao meu lugar na tronqueira e observo o fim dos trabalhos.
Minhas velas, charutos e marafos estão firmados para segurança.
Os trabalhos terminam, todos se vão felizes.
E eu na porteira estou…Sentinela.

Mensagem do Caboclo:

A têmpera do espírito se molda com as suas atitudes. Os encarnados que almejam chegar em algum lugar devem ter fé e observar os bons exemplos dos irmãos terrenos e seguí-los com resignação. A hierarquia respeitada pelo espírito é sinônimo de lucidez e entendimento. O tempo cronológico terreno não é nada perante a eternidade dos Planos Espirituais. Várias são as Colónias Espirituais que se espalham envoltas da Crosta Terrestre, prontas para receberem os novos irmãos que lá chegarão após desencarnarem. Impreterivelmente vão se coligando conforme afinidade e com sede de evolução uma vez que desperdiçaram o tempo enquanto tiveram em Plano Terreno, encarnados, ligados aos vícios de toda sorte. Mas todos os espíritos terão serventia perante o Criador. Os Guardiões responsáveis pelo direcionamento destes irmãos já os observam desde pretéritas ações que lhes compõe o currículo eterno, terão o merecimento reeducativo. O desencarne é o grande nivelador Universal. E a passagem entre Planos é inevitável. Cabe ao espírito se lapidar durante o tempo cronológico que ainda sobra enquanto permance no Plano Terreno. Oxalá abençoe a todos. Que os mais evoluídos ensinem e os menos esclarecidos se dediquem ao próprio crescimento moral e espiritual.

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Uma resposta to “EXU DA TRONQUEIRA”

  1. Maíra Hirose Says:

    Adorei esse texto Antonio… muito elucidativo!!!
    Parabéns… =))))
    Maíra Hirose

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