Origem da Umbanda no Brasil

HISTÓRIA

Em 1908, o jovem Zélio Fernandino de Moraes de 17 anos concluiu o curso propedêutico (ensino médio). Preparando-se para ingressar na Escola Naval, fatos estranhos começaram a acontecer. Ás vezes tinha postura de um velho, contra-dizendo coisas como se fosse outra pessoa, vivida em outra época. Em instantes ágil e ativo demonstrando-se conhecedor da natureza, plantas e animais. Os ataques se repetiam. Levaram-no a um tio médico. Dr. Epaminondas de Moraes, diretor do Hospício de Vargem Grande. Este o examinou e concluiu que a loucura não se enquadrava na situação. Aconselhou que levassem a outro tio, um padre. Exorcismos foram feitos, entretanto as manifestações prosseguiam.
Depois de um tempo, Zélio passou dias com paralisia, repentinamente levantou-se se sentindo curado. Dona Leonor, sua mãe levou-o a uma curandeira, Dona Cândida que incorporava o tio Antonio. Essa entidade conversou com Zélio e disse para desenvolver o fenômeno da mediunidade para a obra de caridade. O pai de Zélio, sr.Joaquim Fernandino Costa era adepto do espiritismo por leituras, por sugestão de um amigo levou-o a Federação Espírita de Niterói, presidida pelo senhor José de Souza.
O jovem Zélio foi conduzido à mesa, tomado por uma força levantou-se e disse:
– Aqui está faltando uma flor.
Saiu e foi ao jardim. Voltou com uma flor na mão e colocou-a na mesa. Isso causou tumulto entre os presentes. Ao mesmo tempo incorporavam Caboclos e Pretos-Velhos. O Diretor advertiu a todos com rigidez, alegando atraso espiritual, convidando a se retirarem.
O senhor José de Souza, médium vidente inicia conversa com o espírito:
– Quem é você que ocupa o espírito deste jovem?
– Eu sou um caboclo brasileiro.
– Vejo em você restos de vestes clericais.
– O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida, acusado de bruxaria, sacrificado na Inquisição por haver previsto terremoto que destruiu Lisboa em 1775. Em ultima existência terrena, Deus concedeu-me nascer caboclo brasileiro.
– Qual seu nome?
– Se é preciso que tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda. Religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o fim dos tempos.
– Não bastam as religiões existentes? E o espiritismo?
– Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu na morte o grande nivelador universal. Rico ou pobre. Poderoso ou humilde. Todos se tornam iguais na morte, mas vocês homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar estes humildes trabalhadores do espaço que trazem importantes mensagens do além? Por que o não aos Caboclos e Pretos-Velhos? Acaso também não foram eles filhos do mesmo Deus?
– Aonde irá se manifestar para passar suas mensagens?
– Amanhã na casa do meu aparelho, haverá uma mesa a toda entidade que queira se manifestar, independente daquilo que tenha sido em vida, todos serão ouvidos. Nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai.
– E que nome darão a esta igreja?
– Tenda Nossa Senhora da Piedade. Como Maria amparou seu filho, serão amparados todos que procurarem socorressem a Umbanda.
– Pensa o irmão que alguém irá assistir seu culto?
No dia seguinte, na rua Floriano Peixoto n.30, em Neves, município de São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro, o Caboclo baixou. Kardecistas da Federação estavam presentes para ver o que aconteceria, principalmente a incorporação. Várias pessoas atendidas, algumas se diziam curadas imediatamente. Médiuns banidos do kardecismo encontraram um caminho para prosseguir. No final o Caboclo ditou certas normas:
1. Atendimento gratuito.
2. Uso de roupas brancas, simples.
3. Cânticos baixos e harmoniosos.
Assim denominou a Umbanda: A manifestação do espírito para a caridade. Com sua subida, manifestou-se então a segunda entidade: Um preto-velho que humildemente recusou-se a ficar na mesa, preferindo um lugar mais singelo. Questionado pelo seu nome, respondeu que na senzala era chamado de Tonho, Pai Antonio. Alguém lhe pergunta se tinha saudade de algo da terra. Ele responde: – Do cachimbo.Na reunião seguinte, freqüentadores trouxeram cachimbos diversos. Inclusive médiuns que procuravam uma nova oportunidade e haviam sido afastados de centros kardecistas por incorporar índios e pretos.

Nos primórdios do Movimento Umbandista, mais precisamente em 1893, vale ressaltar a manifestação de uma Entidade que se denominou Caboclo Curuguçu – que significa “O Grito do Guardião”. Essa Entidade era “um antigo mago que durante quinze longos anos, manifestou-se nos candomblés, batuques de terreiro, adjuntos da Jurema, culto de nações e uma infinidade de terreiros, ditos de nagô e gêgê ou do Congo e Angola, preparando com grande sacrifício a chegada do Caboclo das Sete Encruzilhadas que iria implantar o movimento de Umbanda”.

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4 Respostas to “Origem da Umbanda no Brasil”

  1. juliana Says:

    Sempre me perguntei como tudo tinha começado e esse texto acaba de esclarecer.
    Adoraria que mais textos como esse, esclarecedor, fossem postados para que possamos aprender e entender mais desse universo mágico e apaixonante que é a Umbanda.

    Abraços,

  2. Antonio Monteiro Says:

    Agradeço comentário. O intuito é informar e esclarecer da melhor maneira possível. Com o tempo vários textos serão expostos. Nossos sábios mentores dizem que a sabedoria vem em gotas para que possamos ter tempo para assimilar e entender o aprendizado. Luz e Paz.

    Antonio Monteiro mago-dirigente-psicógrafo
    antoniotaro@hotmail.com

  3. simone Says:

    Caro Antônio,

    Conheço o seu trabalho e sua iniciação para comigo mudou minha vida para melhor, estou muito orgulhosa de você. Parabéns!!

    Simone N Berard

    • espacoumbanda Says:

      Prezada Simone, companheira de caminhada terrena.
      Espero que este blog seja mais uma gota de conhecimento a todos aqueles que procuram aprendizado nos ensinamentos da espiritualidade.
      Que nosso pai Oxalá continue te abençoando em vosso caminho de evolução.
      Mentalizo boas irradiações a ti e a tua família
      Forte abraço,
      Antonio Monteiro.

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